Scott Dunbar e Robert Cage

domingo, 28/10/2007

O post de hoje, por conter artistas com apenas um album lançado, e que tem algo em comum, vai ser duplo.
Scott Dunbar (1904), filho de um ex-escravo no Mississippi, fez seu primeiro violão com uma caixa de cigarros, um cabo de vassoura e alguns arames quando tinha apenas oito anos, e tocava como um violino. Aos dez anos, ele ganhou do seu pai um violão de verdade, e começou a aprender sozinho como tocar, mas nunca soube nomes de notas e afinava seu violão de uma forma diferente para cada música. Sua música é crua e bonita como a que ele cresceu escutando, e o único registro de sua música é um disco chamdo From Lake Mary (local onde ele costumava tocar pra um pequeno público) lançado pela gravadora japonesa Ahura Mazda, em 1972, e foi relançada pela Fat Possum em 1994, ano em que ele morreu, vivendo como um pescador e guia no Lake Mary.
Robert Cage (1937), nasceu em New Orleans, e sua família se mudou pro Mississipi quando ele ainda era um bebê. E foi na frente da loja do seu pai que ele viu Scott Dunbar tocando pela primeira vez. Depois disso ganhou de presente da mãe um violão, mas quando ouviu pela primeira vez o blues eletrico tocado por Muddy Waters, John Lee Hooker e Howlin’ Wolf, ele deixou pra trás aquele blues pré-guerra tocado por Dunbar. Ele chegou a montar uma banda, chamada Impalas, e tocava músicas modernas, como Sam Cooke e Chuck Berry, mas a banda não deu certo, e Cage, que tinha cerca de 90 kg quando começou, estava com menos da metade do peso. Após casar e começar a trabalhar como mecânico, Robert Cage continuou a tocar em pequenas festas e datas marcadas em pequenos clubes, e sua constante procura de boas bandas para acompanhar-lhe acabou fazendo com que ele se tornasse um músico-solo, e voltar a tocar o velho estilo que aprendera vendo Scott Dunbar tocar. E dessa forma lançou seu único disco até o momento, em 1997.

Scott Dunbar – From Lake to Mary (1970)

Robert Cage – Can See What You’re Doing (1997)

Uma resposta to “Scott Dunbar e Robert Cage”

  1. […] pode ser lido e ouvido neste blog. Recomendo baixar, escutar e repensar toda sua existência até […]

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