Lonnie Pitchford

Sábado, 03/11/2007

Lonnie Pitchford (1955) construiu seu próprio diddley bow (instrumento de uma única corda) com apenas cinco anos, e embora também soubesse tocar guitarra e piano, foi como exímio tocador deste instrumento que ele construiu sua fama. Pitchford conheceu Robert Lockwood numa feira e este lhe mostrou alguns acordes de Robert Johnson, e foi tocando músicas do Johnson em seu diddley bow que ele começou a atrair uma platéia para ver suas performances. Em 1994 ele lançou seu primeiro e único disco, pela Rooster Blues. O album varia entre Pitchford frente a uma banda, e sozinho com sua guitarra, contendo também uma belíssima faixa onde ele toca piano e como não podia faltar, algumas tocando seu diddley bow. Em 1998 Pitchford viria a falecer, vítima de aids. Aqui você pode ver um vídeo de Lonnie Pitchford ainda em vida, tocando o Diddley Bow, num trecho de um documentário de Alan Lomax.

All Around Man (1994)

Scott Dunbar e Robert Cage

Domingo, 28/10/2007

O post de hoje, por conter artistas com apenas um album lançado, e que tem algo em comum, vai ser duplo.
Scott Dunbar (1904), filho de um ex-escravo no Mississippi, fez seu primeiro violão com uma caixa de cigarros, um cabo de vassoura e alguns arames quando tinha apenas oito anos, e tocava como um violino. Aos dez anos, ele ganhou do seu pai um violão de verdade, e começou a aprender sozinho como tocar, mas nunca soube nomes de notas e afinava seu violão de uma forma diferente para cada música. Sua música é crua e bonita como a que ele cresceu escutando, e o único registro de sua música é um disco chamdo From Lake Mary (local onde ele costumava tocar pra um pequeno público) lançado pela gravadora japonesa Ahura Mazda, em 1972, e foi relançada pela Fat Possum em 1994, ano em que ele morreu, vivendo como um pescador e guia no Lake Mary.
Robert Cage (1937), nasceu em New Orleans, e sua família se mudou pro Mississipi quando ele ainda era um bebê. E foi na frente da loja do seu pai que ele viu Scott Dunbar tocando pela primeira vez. Depois disso ganhou de presente da mãe um violão, mas quando ouviu pela primeira vez o blues eletrico tocado por Muddy Waters, John Lee Hooker e Howlin’ Wolf, ele deixou pra trás aquele blues pré-guerra tocado por Dunbar. Ele chegou a montar uma banda, chamada Impalas, e tocava músicas modernas, como Sam Cooke e Chuck Berry, mas a banda não deu certo, e Cage, que tinha cerca de 90 kg quando começou, estava com menos da metade do peso. Após casar e começar a trabalhar como mecânico, Robert Cage continuou a tocar em pequenas festas e datas marcadas em pequenos clubes, e sua constante procura de boas bandas para acompanhar-lhe acabou fazendo com que ele se tornasse um músico-solo, e voltar a tocar o velho estilo que aprendera vendo Scott Dunbar tocar. E dessa forma lançou seu único disco até o momento, em 1997.

Scott Dunbar – From Lake to Mary (1970)

Robert Cage – Can See What You’re Doing (1997)

Robert Belfour

Sexta-Feira, 26/10/2007

Robert Belfour (1940) aprendeu a tocar desde a infância, vivida na região de Holly Springs, no Mississippi*. Aos 13 anos, seu pai, quem lhe ensinava, faleceu, forçando-o a ajudar a mãe e deixar a música de lado. Levou uma vida normal trabalhando com construção, e só nos anos oitenta ele começou a tocar para o público, por sugestão da sua esposa, na Beale Street, rua histórica onde diversos bluesmans tocaram.
Em 94 foi gravado pela primeira vez pelo musicólogo alemão David Evans, cujo selo lançou uma coletânea que continham oito músicas de Belfour. Isso o levou a assinar um contrato com gravadora Fat Possum, famosa por ter lançado grandes nomes do blues, e lançar seu primeiro disco em 2000.
Ele não é tão conhecido nos Estados Unidos, e é na Europa onde seu talento é realmente reverenciado. Diversas vezes por ano ele é chamado para tocar em festivais ou clubes pela Europa, e ele o faz sozinho. Ele diz que esteve sozinho desde que começou, e até hoje quando recebe contratos, ele mesmo os lê, e se gosta, assina, compra uma passagem e vai tocar.

* Essa região é conhecida por Hill Country e possui cultura e música distinta da região mais famosa do estado, o Delta do Mississippi, mas também possui um blues poderoso e único, representado por artistas como R.L. Burnside, Mississippi Fred McDowell, Junior Kimbrough, entre outros.

What’s Wrong With You (2000)

Pushin’ My Luck (2003)

Seasick Steve

Terça-feira, 23/10/2007

Steve Wold, seu nome de batismo, começou a tocar guitarra aos oito anos, e aos treze saiu de casa, vivendo muitos anos nas ruas. Talvez por isso ele carregue um aspecto que se assemelhe ao de um mendigo, e tenha músicas que falem desse ‘estilo de vida’. Depois de se mudar pra Noruega, lançou seu primeiro disco, junto a um grupo chamado The Level Devils, e em 2006 lançou um disco solo. Com um arsenal de instrumentos próprios, como sua Three Stringed Trance Wonder, uma guitarra com apenas três cordas, sua One Stringed Diddley Bow, uma ‘guitarra’ de uma única corda, e sua Mississippi Drum Machine, uma caixa onde ele pisa pra obter um som percursivo, ele faz um blues minimalista em essência, mas poderoso.

Cheap (2004)

Dog House Music (2006)

Devil in a Woodpile

Quarta-feira, 05/09/2007

Blues, e dos mais bem tocados. Com quatro integrantes, tocando primordialmente steel guitar, violão dobro, baixo acústico, washboard e gaita, não fosse a boa produção dos cds, você provavelmente acharia se tratar de uma gravação dos tempos áureos do blues e ragtime no Estados Unidos. Diferente do que vêm se produzindo de blues nos dias de hoje, o Devil in a Woodpile prefere manter a tradição e tocar músicas dos grandes nomes sob uma nova roupagem, além de composições próprias.

Devil in a Woodpile (1998)

Division Street (2000)

In Your Lonesome Town (2005)

William Elliott Whitmore

Terça-feira, 14/08/2007

Sentado sozinho, revezando entre tocar um banjo ou um violão, e cantando um misto de country, blues e folk com uma voz das mais bonitas do meio, esse cara já fez turnê com artistas como Clutch, Lucero, Red Sparowes… Daí dá pra tirar o estrago que ele consegue fazer, sem ajuda.
Informações exatas sobre sua discografia são difíceis de se conseguir, mas procurando nos cantos mais obscuros da rede, esses albuns são tudo o que eu encontrei. E valeu a pena cada segundo dispendido para achá-los.

Born In The U.S.A. (2002)

Hymn for the Hopeless (2003)

Latitudes [EP] (2005)

Ashes to Dust (2005)

Hallways of Always (with Jenny Hoyston of Erase Eratta) (2006)

Song of the Blackbird (2006)

Scott H. Biram

Sexta-Feira, 10/08/2007

Nada melhor pra começar com o pé direito do que o Biram. Talvez ninguém mais tenha interesse em baixar, porque eu já mostrei esses cds pra todo mundo que eu achei que poderia se interessar, mas de qualquer forma, fica aí a dica pra quem não deu atenção da primeira vez.
Pra esses que não manjam como é o som, imagine um cara sentado sozinho com uma guitarra cheia de distorção, tocando um country com mais influências de blues que qualquer coisa, batendo o pé e cantando (ou berrando).
Fico devendo uns bootlegs dele que eu subirei depois para quem se interessar.

This Is Kingsbury? (2002)

Preachin and Hollerin (2002)

Lo-Fi Mojo (2003)

The Dirty Old One Man Band (2004)

The Dirty Old One Man Band (2005)

Graveyard Shift (2006)

Ps: A diferença do TDOOMB de 2004 para o de 2005, é que o primeiro foi produzido e lançado pelo próprio Biram, com 17 músicas, e depois que ele assinou com a Bloodshot Records, eles relançaram o mesmo cd só com 14 músicas, incluindo uma versão de Wreck My Car inédita, e a versão de Truckdriver do Preachin and Hollerin.