Scott H. Biram – Rehabilitation Blues

Quarta-feira, 11/03/2009

Faz exatamente uma semana que Scott H. Biram quebrou uma perna. Ele, que fazia em turnê pela Europa, estava no sul da França quando em um acidente bobo caiu da van, e quebrou a perna esquerda. Foi levado a um hospital e tiveram que pôr um pino e quatro parafusos na parte inferior da perna. Ele já tinha um pino, na parte superior da perna direita, bem como oito parafusos no joelho esquerdo, uma placa com seis parafusos no braço direito e três parafusos no pé esquerdo. Esses são todos do acidente que vai completar seis anos. Em 25 de março de 2003, Scott vinha dirigindo sua caminhonete pela estrada quando colidiu, a mais de 120km/h, com um caminhão. O resultado do acidente pode ser visto em fotos que o próprio Biram faz questão de estampar no seu site oficial. Mas a tragédia parece que só fortaleceu o músico, que menos de um mês depois, em 11 de maio, subiu ao palco em Austin, no Texas, e, numa numa cadeira de rodas, com um braço e duas pernas quebradas, ele fez um show épico. Em junho ele finalmente deixou o hospital, e enquanto ainda estava em casa se recuperando, gravou este EP, trajando seus pijamas. De lá pra cá ele já lançou mais dois discos, que são alguns dos seus melhores trabalhos, e já tem programado para abril desse ano o lançamento de um novo album. Nos resta esperar, e torcer para que ele se recupere novamente de forma magistral, e continue despejando sua música em nós.
O disco foi gravado em 2003, mas só foi realmente lançado no ano passado. No entanto, estou considerando a data de gravação nesse caso.

Scott H. Biram – Rehabilitation Blues (2003)
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Possessed By Paul James

Sexta-Feira, 18/04/2008

Possessed By Paul James é o nome artístico adotado, em homenagem a seu pai e avô, por Konrad Wert, nascido no sul da Flórida, de família amish e menonita. Sendo seu pai um pastor, ele frequentava a igreja e tocava acompanhado de sua mãe, pianista. Ainda jovem, ele largou a igreja e passou a se dedicar a sua própria música. Toda essa mistura de raízes distintas fez com que ele adquirisse uma sonoridade que mesmo sendo derivada da música gospel, blues, folk, bluegrasse e country, não soe com nada já produzido.
Em 2006 assinou com o selo italiano Shake Your Ass Records, e lançou um LP auto-entitulado, com quatorze faixas gravadas ao vivo. Esse ano, lançou seu segundo disco, com dez músicas, pela Voodoo Rhythm.
Wert sobe ao palco munido de uma guitarra, um violão, um banjo, um violino e uma stompbox, e sentado, enquanto toca um dos instrumentos de corda e pisoteia ferozmente a caixa, ele costuma rosnar, latir, e até mesmo cantar (muito bem, diga-se), músicas que podem ser completamente escrachadas, ou possuir uma letra bonita e reflexiva.

Possessed By Paul James (2006)

Cold and Blind (2008)

PS: Como ainda não decidi qual site usar para hospedar os arquivos, estou temporariamente usando o rapidshare.

Eddie ‘One String’ Jones

Sábado, 05/01/2008

Hoje faço uma rápida atualização, com um único disco, mas prometo um post maior na próxima semana.
Eddie Jones foi descoberto na década de 60 pelo musicólogo Frederick A. Usher, em uma rua de Los Angeles. Um dia ele foi abordado por dois homens, e um deles segurava um instrumento caseiro de uma só corda, uma versão rústica de um diddley bow, que ele tocava com metade de uma garrafa de whiskey como slide, e um graveto cuidadosamente talhado como palheta. O som que ele produzia era cru e rústico, e tinha claramente uma ligação forte com as raízes africanas do instrumento. Usher correu até sua casa para pegar o seu gravador portátil, e conseguiu numa loja próxima a eletricidade necessária pra produzir o único registro que se tem desse artista. O musicólogo ainda tentou fazer com que ele fosse reconhecido na cena musical folk da época, mas o fato de Jones viver na rua dificultava as tentativas, e após esse disco ele sumiu sem deixar rastros. O disco (lançado pela primeira vez em 93 pela Gazell, e sendo relançado em 96), é composto de músicas tradicionais de blues com uma única autoral de Jones, e ainda possui faixas de um outro morador das ruas, Edward Hazelton, que apesar de possuir notório talento com a gaita, é ofuscado pelo talento inato de Eddie ‘One String’ Jones.

One String Blues (1993)

Tinariwen

Sexta-Feira, 28/12/2007

Tinariwen é uma banda que está junta desde 1982, e vem de Mali, no oeste da África. À primeira vista pode ser estranho eu postar essa banda aqui, ainda mais sob a denominação de blues, mas quem tiver com o ouvido bem apurado vai notar toda a semelhança entre o som que a banda faz e o estilo. Talvez isso se dê pelos dois derivarem da mesma fonte, afinal, o blues também tem suas raízes na música étnica africana. Então é como se os dois gêneros tivessem progredido simultaneamente, adquirindo influências dos meios onde cresceram, seja no sul dos Estados Unidos, ou nos desertos da África. Por ter se desenvolvido principalmente nas regiôes desérticas, costuma-se chamar esse estilo de Desert Blues.
Apesar de estar formada a bastante tempo, a banda só veio ter um maior reconhecimento mundial quando tocaram num grande festival chamado Festival au Désert em 2001, e depois disso lançaram seu primeiro cd em 2002 (antes disso eles tinham lançado apenas fitas cassete que distribuiam apenas pela região onde moravam), atingindo um sucesso ainda maior e chegando a tocar com músicos lendários como Robert Plant e Santana.
Mas antes de terem esse reconhecimento, eles já tiveram que enfrentar guerras de verdade enquanto buscavam pela fama. Na decada de 80 eles foram levados a campos de treinamento, e ensaiavam entre os treinamentos de guerra. Seis integrantes da banda chegaram a lutar na rebelião de Mali, que durou de 1990 a 1996, e quatro desses ainda fazem parte do grupo.
Quem quiser saber um pouco mais sobre a banda, pode assistir a este pequeno documentário no youtube.

The Radio Tisdas Sessions (2002)

Amassakoul (2004)

Aman Iman: Water Is Life (2007)

C.W. Stoneking

Quinta-feira, 20/12/2007

Antes de falar do artista de hoje, darei uma breve explicação sobre dois termos referentes ao seu som: Piedmont Blues e Hokum.
Piedmont Blues é um gênero de blues caracterizado por um método de tocar único, em que o polegar toca os sons graves fazendo o baixo da música em alternância com as cordas agudas fazendo a melodia, e é representado por artistas consagrados, como Blind Willie McTell, Blind Blake, Blind Boy Fuller, e diversos outros. O som é bastante influenciado pelos pianos de ragtime, e esse ritmo é o que o diferencia de outros gêneros de blues, como o do Delta do Misssissipi e, apesar de ser um gênero clássico da costa oeste dos Estados Unidos, é possível notar uma forte influência em músicos de outras regiões.
Hokum não é exatamente um gênero e sim um certo tipo de música, dentro do blues, que contenha letras com duplo sentidos, analogias, eufemismo, ou qualquer trocadilho de conotação sexual. É comum encontrar esse tipo de música até nos mais antigos artistas de blues, como Robert Johnson, passando por diversas jug bands, e chegando até em artistas recentes de blues rock, como ZZ Top.
A necessidade de explicar esses dois conceitos veio à tona porque eles são praticamente a definição do som de C.W. Stoneking (1974). Nascido na Australia, filho de pais americanos, ele foi criado numa comunidade aborígene até os nove anos, e aos onze começou a tocar violão. Em 1997 ele se mudou para Melbourne, e começou a fazer pequenos shows, tocando seu blues calcado nas décadas de 20 e 30. No ano seguinte ele montou uma banda, chamada The Blues Tits, que durou apenas um ano e meio, vindo a acabar em decorrência da morte de um dos integrantes. Em 2005 ele gravou seu primeiro disco, sendo aclamado pela crítica local, esse mesmo disco veio a ser lançado oficialmente pela Voodoo Rhythm Records, dois anos depois. Em 2006, gravou um disco de covers de canções antigas que nunca foi lançado oficialmente, e esse disco foi gravado em um único dia na casa de um amigo, e o cantor jura nunca ter tocado as músicas antes daquele dia, só tendo as escutado antes. Stoneking já está em processo de gravação de um novo disco de originais, junto a sua banda, a Primitive Horn Orchestra, que deve ser lançado no ano que vem.
Sua música vai acertar em cheio os ouvidos de qualquer um que goste de um bom blues acústico e, principalmente, quem gostar do som feito pelos pioneiros, com forte influência de ragtime e uma leve pitada de jazz. O disco é uma verdadeira viagem sonora ao passado.

Mississippi & Piedmont Blues 1927-1941 (2006)

King Hokum (2007)

Little Axe

Sexta-Feira, 07/12/2007

Little Axe é o nome artístico de Skip McDonald (59), um guitarrista de Ohio que já participou de inúmeros projetos musicais. Seu nome de batismo é Bernard Alexander, e ele aprendeu a tocar blues com seu pai, e com dez anos já tocava com diversos músicas de jazz da sua área. Depois de ter participado de bandas gospel e covers, seu primeiro registro musical foi participando de uma banda disco chamada Wood Brass & Steel, na decada de setenta, e depois disso ele fez parte durante algum tempo da banda de estúdio da Sugarhill Records, participando como guitarrista de vários discos de rap lançados pela gravadora. Quando saiu de lá juntou-se ao produtor Adrian Sherwood, dono da gravadora On-U sound, e fez parte do grupo Tackhead, e participando da produção e remixes de vários artistas da gravadora, como Nine Inch Nails, Living Colour, Megadeth, entre outros. Em 1992, ele resolveu voltar às raízes do blues e começou a tocar sob a alcunha de Little Axe, e de lá pra cá lançou discos por quatro gravadoras, incluíndo a lendária Fat Possum. O seu som pode assustar os puristas, pois além de blues tem uma forte veia de dub e reggae, mas sem perder a característica do blues que aprendeu na infância.

The Wolf That House Built (1994)

Slow Fuse (1996)

Hard Grind (2002)

Champagne & Grits (2004)

Stone Cold Ohio (2006)

Hillstomp

Terça-feira, 04/12/2007

Hillstomp é um duo de blues de Portland, Oregon. A banda teve início quando John Johnson, baterista, foi a um show solo de Henry Kammerer, guitarrista e vocalista. Johnson conta que nunca tinha se interessado por blues, mas achou o som daquela guitarra com slide fascinante, e como ele tinha algum conhecimento musical, ele concordou em tocar bateria com Kammerer. Ao invés de uma bateria comum, ele usa uma bateria composta por vários baldes e uma tábua de lavar roupas. Com uma performance enérgica e calcada num blues com sonoridade própria mas que deriva do hill country, eles lançaram seu primeiro disco em 2004, contendo algumas versões de músicas tradicionais, e covers do nome máximo do blues de Hill Country, R.L. Burnside. Em 2005 lançaram seu segundo album, seguindo a mesma premissa, e só dois anos depois vieram lançar o seu terceiro disco, um disco ao vivo decorrente da gravação de dois shows da banda. Eles ainda contam com a participação esporádica de um gaitista, mas que não é um integrante fixo da banda. Na nova safra de bandas de blues que vem surgindo em todo o mundo, eles se distinguem pela criatividade e energia empregada na composição e principalmente na execução das músicas.

One Word (2004)

The Woman That Ended The World (2005)

After Two But Before Five (2007)

Elam McKnight

Quarta-feira, 28/11/2007

Elam McKnight conta que desde pequeno esteve exposto ao Blues. Seu tio o levava à Beale Street e sua fascinação pela guitarra e pelo gênero começaram desde aí. “Eu devorava qualquer album de blues que eu pudesse pôr as mãos”, diz.
Ele segue contando que esteve mal uma época, num casamento ruim e tudo andava mal, e até em termos musicais andava desacreditado, não acreditava que existissem mais músicos como Muddy Waters ou Howlin’ Wolf. Foi quando encontrou jogado numa calçada um disco que literalmente mudou sua vida, o Ass Pocket of Whiskey, de R.L. Burnside. Depois de se recompor do susto inicial que o disco provocara, ele ficou fascinado pelo som do Hill Country do norte do Mississippi. A partir daí começou a escrever músicas e juntar dinheiro para gravar, e enquanto procurava os músicos certos para tocar com ele, conheceu Cedric Burnside (Neto e baterista de R.L. Burnside), que o convidou a ir ao Mississippi para fazerem uma jam, onde conheceu o tio de Cedric, Garry (que tocava bateria com Junior Kimbrough), e o próprio R.L. Burnside. Essas sessões acabaram por se tornar a base do seu primeiro disco, que foi lançado em 2003 por sua própria gravadora independente. Esse disco teve uma grande recepção, algo incomum para um disco independente, chegando a figurar como o número quatro na lista de discos de Root Blues dos Estados Unidos.
O seu disco mais recente foi lançado esse ano, e é uma homenagem a toda essa herança musical que ele não quer que fique esquecida, e pra isso, ele conta com a participação do lendário baterista Sam Carr, que fez parte dos Jelly Roll Kings. O disco também conta com diversas referências à figuras importantes do blues, e conta com várias influências musicais diversas, como rock, punk e hip hop.
Ele ainda tem um outro disco acústico lançado em 2005, do qual eu devo falar aqui no futuro.
Sem dúvida um dos artistas mais interessantes da nova cena blues americana, que mesmo mesclando elementos atípicos ao gênero, sempre busca se apróximar ainda mais de suas raízes.

Braid My Hair (2003)

 

Supa Good (2007)

Charles Caldwell

Sábado, 17/11/2007

Charles Caldwell (1943), viveu toda a sua vida na região norte do Mississippi hill country, trabalhando numa empresa que produzia ventiladores. Suas performances se resumiam a pequenos shows no clubes locais, e mesmo tendo começado a tocar quando era adolescente, nunca havia sido gravado. Em 2002 ele conheceu Matthew Johnson, o fundador da Fat Possum, e este ficou encantado com o carisma e com a habilidade de Caldwell. Foram marcadas sessões para a gravação de um disco, e nessa época Charles Caldwell foi diagnosticado com câncer pancreático. O disco foi gravado simultaneamente com a sessões de quimioterapia a que o música foi submetido para tratar sua enfermidade, mas em setembro de 2003 ele viria a falecer, deixando para posteridade um dos albuns mais bonitos deste século.

Remember Me (2004)

Black Diamond Heavies

Quarta-feira, 07/11/2007

O Black Diamond Heavies começou como um trio, contando com John Wesley Myers nos teclados e voz, Van Campbell na bateria, e Mark “Porkchop” Holder na guitarra e gaita, e com essa formação lançou, em 2004, um fantástico EP independente. Depois disso, Mark Holder, sentindo a pressão da vida na estrada, decidiu deixar a banda, e os Heavies preferiram continuar assim mesmo sem substituir o antigo guitarrista. Agora com uma formação um tanto quanto inusitada pro estilo, continuaram a fazer seu blues sujo, que com a ausência de guitarra e com vocais a la Tom Waits, se tornou ainda mais cru e visceral, e no início de 2007 lançaram seu prímeiro disco, pela Alive records (mesma gravadora que alavancou os Black Keys).

You Damn Right (2004)

Every Damn Time (2007)